Um taxista que adquire um carro novo, pelo plano de isenções de impostos, tem que ficar com o veículo na praça, pelo menos, por dois anos. Mal comparando, é como se fosse um casamento. A diferença é que, ao invés de contrair núpcias, o taxista contrai uma dívida no banco (não sei o que é pior).
Como em todo casamento, tudo começa com o namoro. O taxista precisa escolher o modelo de veículo que mais lhe apraz, aquele que mais se ajusta ao seu perfil. Grandes, pequenos, básicos, completos, sedan, perua, loira, morena. A felicidade conjugal depende, em grande parte, da escolha que se fará na fase do namoro.
Hoje em dia, as revendas, espertas, oferecem ao taxista a oportunidade de fazer um teste drive. Ou seja, antes de fechar negócio, é possível uma relação, digamos, mais íntima com o veículo - nos casamentos modernos não é muito diferente. O taxista sai dirigindo o carro, com um vendedor ao seu lado. Como um pai que quer desencalhar sua filha, o vendedor vai enumerando todas as qualidades do veículo, tendo o cuidado de omitir os defeitos, é claro.
Feita a escolha, é hora de consumar a união. Assinar a papelada. Uma verdadeira via crucis, que colocará à prova os nervos do taxista. Um emaranhado de carimbos, autenticações, cópias, certidões e taxas. Muitas taxas a pagar. Isso sem falar das greves, que retardarão ainda mais o processo. Greve da receita, dos Correios, dos cegonheiros, dos metalúrgicos. Haja paciência.
Acabo de passar por toda essa função. Troquei meu táxi. Ando trifaceiro, espalhando cheirinho de carro novo pelas ruas de Natal . Sei que essa alegria não dura para sempre, que, como em todo casamento, os primeiros desgastes na relação, as primeiras oficinas virão. Mas cada coisa a seu tempo, agora só quero curtir a lua-de-mel. Assunto Adequirido" Taxidramas" Por MAURO CASTRO"